O amor e o perdão

A Bíblia Sagrada dos cristãos está dividida em Antigo Testamento e Novo Testamento. No Antigo Testamento, os cinco primeiros livros que formam, por assim dizer, o cerne da Bíblia é conhecido coletivamente como Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio). Em Êxodo (20, 3-17) e Deuteronômio (5, 7-21) são apresentados os Dez Mandamentos ou o Decálogo da Lei da Antiga Aliança, baseados em regras específicas que não deveriam ser transgredidas. E se alguém transgredia a Lei em qualquer aspecto, era considerado culpado por violar a Lei inteira.

Com a vinda de Jesus Cristo, narrada no Novo Testamento, Ele estabeleceu a Nova Aliança, sintetizada em um único mandamento, o mandamento do amor, conforme apresentado em João (13, 34-35): “Dou-vos um novo mandamento: amai-vos uns aos outros; como eu vos tenho amado. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Assim, o mandamento do amor resume os Dez Mandamentos, porque a Nova Aliança cumpre a Antiga.

Viver o amor é exercitar o perdão e para amar ao próximo é necessário aprender a se amar e a se perdoar. Nada de alimentar rancores, frustrações e sentimento de vingança dentro de si. Tudo isto dever ser trocado por um grande perdão. Pois, quem não aprende a se perdoar, dificilmente estará livre para amar. E quem não tem amor dentro de si, como poderá dar o que não tem?

Se amar ao próximo de verdade é difícil, o que dizer de amar aos inimigos? Pois isto é o que foi dito por Jesus, segundo Mateus (5, 44-46): “Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois Ele faz nascer o Sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Pois, se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?”.

Quem ler os primeiros cinco livros que constituem o Pentateuco há de perceber que os judeus conheciam muito a respeito da Lei. Mas haverá, também, de perceber que o Deus do Antigo Testamento não ensinou aos israelitas a respeito do amor e do perdão aos seus inimigos. Ao ler o Antigo Testamento a sensação é que, naquele tempo, a humanidade estava diante de um Deus guerreiro, vingativo, seguindo o princípio do “olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé”, conforme Êxodo (21, 24).

Diante do Novo Testamento, a sensação é outra. O Deus guerreiro, vingativo, dá lugar ao Deus do amor, do perdão e da compaixão, representado por Jesus Cristo, o Filho de Deus. Efetivamente, para melhor compreensão, tudo isto deve ser analisado dentro do contexto histórico.

O que, portanto, Jesus mandou que façamos com os nossos inimigos? Que os retaliemos? Que nos vinguemos, acertando as contas com eles na mesma moeda? Pelo contrário, nos orientou que devemos amá-los, bendizê-los, fazer-lhes o bem e orar por eles. Agindo assim, amadurecemos no amor divino.

Porém, para que sejamos capazes de amar aos que nos ofendem é necessário que passemos por uma profunda mudança interior. É necessário que o amor divino e o grande perdão existam dentro de nós. Depois disso, para além do perdão, é possível amar os nossos inimigos e sermos dignos do amor de Cristo e da Nova Aliança.

Por: Benedito Antonio Luciano