Arte e gestão escolar

Há décadas se trabalha na perspectiva de manter e avançar com a qualidade do ensino de arte na educação formal. Há alguns gargalos que persistem por questões epistemológicas, por exemplo, o tecnicismo no ensino de arte e sua consequência de “bacharelizar” o que deve ser licenciatura. Essa questão é um embate entre o conteúdo e os procedimentos pedagógicos, ou seja, metodologia no ensino de arte. Eu me refiro a abordagem: de que adianta o/a professor/a saber tudo sobre dramaturgia, Stanislavski, Eugenio Barba, Grotowski, Lehman etc e etc, se não se sabe que conteúdo planejar para diversos anos (séries) escolares?

A questão da licenciatura enquanto formação de profissionais merece toda seriedade do debate, todavia a gravidade da questão se pauta na gestão escolar. Mesmo que tenhamos professores bem formados, há necessidade de que os gestores e técnicos conheçam sobre arte e trabalhem em conjunto com a área de arte propiciando condições de trabalho dignas e possibilidades pedagógicas para trabalhos  inter/transdisciplinares, inclusive através de projetos, para o ensino de arte .

As escolas, na sua maioria, não têm espaços adequadas para o ensino de arte; a maioria dos professores de arte no Brasil, principalmente no interior do Norte e Nordeste, não são licenciados e habilitados para o ensino de arte e a maioria dos gestores não conhecem e, consequentemente, não compreendem a importância do ensino de arte na formação dos discentes. Essa realidade demonstra o quanto o tecnicismo, procedimento que combato no livro Amor invisível: artes e possibilidades narrativas, é limitado e está aquém do contexto que estamos vivendo e da condição pós-moderna que nos cerca.

As gestões escolares precisam conhecer sobre o ensino de arte; os professores de arte precisam aprofundar e consolidar suas competências; e os alunos merecem um ensino de arte de qualidade.

Por Carlos Cartaxo