Ser moderno

Há muitos anos ouço o termo “moderno” como sinônimo de atualizado, vanguarda, algo de surpreendente valor. Esse tratamento é comum nos festivais de arte e no meio universitário quando se quer elogiar ou comentar um trabalho artístico. Todavia, tenho acompanhado algumas experiências e estudos que vão além desse patamar conceitual. Lembro que muitos profissionais da educação, que tem formação em arte, não tem clareza do conceito teórico sobre o tema. Lembro Andy Hargreaves que no seu livro “Profesorado, cultura y posmodernidad”, Edições Morata, Madrid, 1995, esclarece que:
“Modernidade”, ‘modernismo” e modernização são palavras similares mesmo que com significação muito característicos. Modernidade descreve uma determinada condição social com componentes sociais, políticos, culturais e econômicos. Modernismo é uma forma intelectual, estética e cultural ou o movimento mediante o qual se expressa ou apresenta essa forma. Modernização é um processo econômico e político de desenvolvimento e mudança.”
Então, ao generalizar o termo moderno pode-se cair no erro do uso indevido, até porque o pensamento moderno tem origem no século XVI. Logo, denominar um trabalho de moderno, necessariamente, não corresponde a algo novo.
Carlos Cartaxo na exposição de Salvador Dali no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro.
No meu romance “Amor invisível: artes e possibilidades narrativas”, fruto da minha tese de doutorado, abordo essa questão no âmbito escolar. A opção de trabalhar o resultado final do meu doutorado, a tese, como um romance, no caso uma obra narrativa, foi uma iniciativa pós-moderna, logo nada moderna, de tratar a pesquisa em arte de forma diferenciada, buscando novos recursos, motivadores e atrativos, fugindo do tratamento moderno que continua sendo trabalhado na escola formal.  
Carlos Cartaxo