Eu conheço muito pouco

Eu não conheço tão bem Paris. Mas, o pouco que conheço da sua arquitetura, jardinagem, museus, e muito charme é o suficiente para sentir como um atentado terrorista pode entristecer aquela cidade. Eu não conheço tão bem Bruxelas, mas o que conheço da arquitetura, da cultura, do romantismos da cidade é o suficiente para ficar preocupado com o chão que, por onde pisei, hoje se pisa sob a égide do medo. Eu não conheço tão bem Nova Iorque. Mas, conheço na cidade, suas belas vitrines, seus teatros, parques e nostálgicos prédios, o suficiente para imaginar a dor causada pelo atentado das torres gêmeas.

Cito apenas três casos, três cidades. Três países, embora eu conheça outras situações difíceis geradas pelo terror. Inclusive, morei em Barcelona, Espanha, país também vitimado por atentados terroristas. Certa vez, em um aeroporto em Londres, a fila para embarque estava enorme, fazia curvas intermináveis. Então deixei minha mala de mão, que estava um pouco pesada, parada e fui circulando sozinho para quando a fila desse uma volta, eu estaria outra vez ao lado da mala e a conduziria. O resultado foi que, em poucos minutos, vi um tumulto e percebi que havia uma senhora desesperada gritando por policias porque havia uma suspeita de bomba, de terrorismo. Para minha surpresa se tratava de minha mala de mão. Me apressei, antes que a polícia chegasse, para explicar que a mala era minha e que eu iria pegar. As pessoas me olhavam como se eu fosse um extraterrestre, digamos, um possível terrorista. Então vejamos, é assim que caminha a humanidade. Humanidade, mas que humanidade?

Resgatando a história recente, mas sem querer ser nostálgico evidentemente, lembro que o senhor George W. Bush, ex-presidente dos EUA, em 19 de março de 2003, no afã de expandir os interesses norte-americanos, principalmente aliados políticos e petróleo, invadiu o Iraque, no Oriente Médio, com a acusação de que o regime baathista do presidente Saddam Hussein desenvolviaarmas de destruição em massa, químicas e biológicas, o“Agente laranja”, bomba usada pelos EUA na Guerra do Vietnã.O resultado da invasão no Iraque foi um desastre.Bagdá ficou uma cidade destruída; Saddam foi preso, condenado, morto e a cidade, assim como todo o país ficaram totalmente destruídos e continuam arrasados até hoje. Desse conflito, segundo os norte-americanos, morreram no lado iraquiano, nada menos que 30.000 combatentes. 7.269 civis iraquianos foram mortos. Da coalisão norte-americano morreram 172 soldados e 551 foram feridos.

Essa “Operação Liberdade do Iraque” fez parte da “Guerra Global contra o Terrorismo”. No final nunca encontraram no Iraque o tal “Agente laranja”. Segundo o próprio Pentágono o plano era invadir sete países do oriente médio: Iraque, Síria, Líbano, Líbia, Irã, Somália e Sudão (ver o livroWinningModern Wars do general norte-americano Wesley Clark lançado em 2003).Depois de tudo isso o que poderia acontecer? Nasceu o Estado islâmico. Exatamente o EI.

Pois bem, uma única morte não justifica uma guerra. Qualquer guerra é insana. 200 pessoas que morreram nos atentados de Paris e Bruxelas. As 2.996 que morreram nosatentados das torres gêmeas em Nova Iorque  não valem mais , nem menos que as 40.000 mortas no Iraque. Todavia só são considerados terroristas os insanos extremistas muçulmanos! E os cristãos que, em nome da democracia, matam milhares de muçulmanos não são terroristas? Que democracia é essa que se mata famílias inocentes, destrói cidades, destrói países e quem o faz se acha no direito de fazê-lo e fica impune?

Eu conheço muito pouco o mundo. Mas conheço muito bem as ações humanas e desumanas. Portanto não me engano com “crentes e poderosos, muito menos com corruptos”, inclusive aqueles sujeitos, autoridadesda geopolítica que definem, arbitrariamente, o que deve acontecer no mundo e no Brasil. E assim caminha a humanidade: alguns lutando para a melhoria da raça humana e outros para benefícios próprios!

Carlos Cartaxo