Tem algo errado com a educação em Picuí-PB.

Sabemos o cuidado que devemos ter com a nossa educação e com a dos nossos filhos, porque ela influi sobre toda a vida. Observem como uma pessoa sem educação, por mais alto que a coloquem, sempre fica com um aspecto subalterno. Este fato é muito fácil de ser observado no recanto geográfico onde se situa o nosso Seridó, onde quase todas as pessoas que se destacaram tiveram a educação como alicerce: Padre Barros, o deputado Buba Germano, o prefeito Olivânio, a governadora Fátima Bezerra, o magistrado Edailton Medeiros, o tradutor Paulo de Badé, a poetisa Zila Mamede, O educador Felipe Tiago Gomes, para não citar outros mais, não teriam seus destinos mudados se não tivessem seguido os rumos da educação. Estes exemplos, portanto, demonstram que é no problema da educação que reside o segredo do aperfeiçoamento humano.

Só não podemos esquecer que junto com a educação formal deve vir à educação em casa, igualmente importante. Certamente, estes grandes conterrâneos citados tiveram pais incentivadores com seus exemplos, tão importantes quanto o esforço material. Porém, persiste um fato muito nocivo, o de que os esforços de muitos pais visam apenas encher a cabeça dos filhos de ciência, e nunca de bom senso e de virtude; indaga-se se o indivíduo sabe inglês, se tem dinheiro, se escreve bem, mas perguntar se ele se tornou melhor ou se seu espírito se desenvolveu ninguém pergunta!! E este aspecto (o bom senso e da bondade de coração) é decisivo, pois o bom senso manda valorizar quem sabe melhor e não quem sabe mais. Lembremos que a educação é um instrumento que desenvolve as qualidades, mas não as cria!! Por isso é que é comum vermos tantos canalhas travestidos de “doutores”.

Para que se evite esta falha, é preciso lembrar que a educação de cada um começa já a partir do seu nascimento e este desenvolvimento é contínuo, até a extrema velhice. Se for fácil colocar um filho no mundo, depois que ele nasce, educá-lo e instruí-lo é tarefa complexa, trabalhosa e temível, pois suas tendências na infância são tão tênues e obscuras que fica quase impossível adivinhar sua vocação e índole.

Volto a frisar que, em geral, é inepta a educação que recebemos, porque ela visa criar homens de ciência, aptos a ganhar dinheiro, mas não ensina a amar, a praticar a virtude e a sermos prudentes. Quem recebeu somente uma boa educação formal, em geral, sabe declinar o substantivo virtude, mas ignora o seu sentido; já com relação à prudência, todos conhecem seu sentido e definição, mas acaba-se “dando mancadas” durante toda a vida. Certamente a educação, no seu sentido amplo, é um instrumento imprescindível para se adquirir o máximo de virtudes e se ter mais prudência na vida social e pessoal, condições basilares para uma felicidade mais consistente e duradoura.

Sobre a vida de cada um de nós, dizia Pitágoras, que ela se assemelha à grande e populosa assembleia dos jogos olímpicos, onde uns se exercitam para conquistar a glória (os atletas, sempre vaidosos), outros levam sua mercadoria para vender e ganhar (os comerciantes, ávidos de lucros materiais) e ainda outros que só querem ver o porquê e o como de cada coisa, observar bem a vida alheia para assim julgarem e regularem a sua (o sábio e prudente). Sejamos, pois, a partir de hoje, como estes últimos, mesmo que duvidemos da qualidade educacional que recebemos desde a infância.

Álisson Pinheiro é Natural de Picuí-Pb, residiu também em Cubati e Baraúna, tornando-o um autêntico filho do Seridó e do Curimataú paraibano. É formado em Direito pela UFPB, com Pós-Graduação em Direito do Trabalho. Trabalha no TRT-AL onde vive na capital Maceió.