Produção de algodão sustentável chama a atenção de missão de estrangeiros

A produção de algodão sustentável na Paraíba chamou a atenção da missão de estrangeiros composta por técnicos e agricultores da Colômbia, Mali e Moçambique que está conhecendo o Projeto Algodão Paraíba, as práticas de assistência técnica rural e outras atividades executadas pelo Governo do Estado que estão mudando a vida de famílias de agricultores familiares. Na quinta-feira (5), o grupo esteve na comunidade Tapera, no município de Alagoa Grande, e no Assentamento Campos, em Salgado de São Félix, onde a cultura do algodão está mudando o panorama social e econômico familiar.

A missão é acompanhada da coordenadora regional do projeto Mais Algodão da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Adriana Gregolin, da coordenadora de Cooperação Sul-Sul da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Fernanda Barreto, e de Mônica Salmito, da Agência Brasileira de Cooperação, entre outros.

Depois conheceu a realidade da família de Marcos e Rosilda Vitorino, de Alagoa Grande, que trabalha com uma diversidade de culturas para manter uma rotatividade de renda mensal, como inhame, cana de açúcar, beneficia polpa de frutas, fava, amendoim e feijão, mas neste ano decidiu voltar a cultivar uma área de 2 hectares com algodão orgânico, consorciado com gergelim, milho e girassol.

Durante a tarde, o grupo também visitou o Assentamento Campos, onde manteve contatos com produtores rurais e conheceu o plantio de algodão herbáceo colorido rubi, cultivado pelos agricultores Ivanildo Faustino e Severina Ramos (Raminha) e presenciaram uma demonstração sobre o preparo de extrato natural líquido de castanha de caju para o combate dos insetos na lavoura.

Presente na comunidade, o coordenador dos Arranjos Produtivos Locais (APL Algodão), Napoleão Nunes, que representa a Unitex na compra do algodão, revelou que existe um grande interesse das indústrias que integram a Associação doas Indústrias de Vestuário da Paraíba em adquirir a produção paraibana de algodão. O preço praticado é de R$ 13,50 o quilo do algodão colorido orgânico devidamente certificado.

Novos encontros – A visita técnica faz parte do Projeto Cooperação Sul-Sul Trilateral executado pelo governo brasileiro, representado pela ABC/Ministério das Relações Exteriores, pela FAO e países do Mercosul, associados e Haiti e a Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), por meio da Empaer. A programação continua nesta sexta-feira (6), com uma visita a indústria Norfil, em João Pessoa.

A coordenadora de Cooperação Sul-Sul da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Fernanda Barreto explicou as razões de ter trazido o grupo para conhecer o Brasil e o trabalho com a produção de algodão em nível de agricultura familiar. “Nós implementamos  um programa de cooperação Sul-Sul, que é justamente o intercâmbio entre países em desenvolvimento, por exemplo, entre o Brasil e outras nações. A OIT tem esse programa de trabalho na cadeia do algodão e trouxemos representantes de Moçambique, da Colômbia e de Mali para conhecer o que está sendo produzido na Paraíba”, explicou.

Segundo Fernanda, existe um interesse das nações integrantes do programa de Cooperação Sul-Sul em conhecer a produção de algodão sustentável que vem sendo cultivado na Paraíba. “Aqui temos uma característica que é semelhante aos países de Moçambique, Mali e Colômbia, que são pequenos produtores. Na maior parte do Brasil tem grandes produtores de algodão, mas aqui está se trambalhado com o pequeno agricultor, que se assemelha com estes outros países”, comentou.

Ela ressaltou, ainda, que a OIT é direcionada para a organização das famílias produtoras, para as suas condições de trabalho, para a eliminação do trabalho infantil nessas lavouras. “Enfim, para a produção do trabalho decente do começo até o fim da cadeia de valor do algodão”, disse.

Ascom